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~ Julho 18, 2010 |
O domingo sufoca! Fica tudo tão nítido! Não é o mundo, nem a cidade, não é nem seu quarto. Você sabe muito bem o que é que está apertado. - Daniela | às 9:40 PM |
| Se eu andasse na terra; e tudo isso saísse. E a terra trouxesse as forças de renascer. E fosse um domingo. - Daniela | às 6:38 PM |
| Sentido, e só Que sentido pode fazer? Quando você finalmente encontra um sentido - essa sua mania - você o desvenda. E aí o perde; em si mesma, e porque o quis. Como se não fosse tão óbvio. E como se não soubesse... Que qualquer sentido se desintegra, logo após o desvendar. - Daniela | às 6:35 PM |
| De tudo que vira só ar, e respirar Alguma coisa aconteceu aqui. E só o domingo sabe. Costumava existir uma menina; e junto dela o sol, o céu, o vento e as sacadas. Janelas abertas, saudade e pessoas. Costumava existir um coração. Um verde. Hoje existe um domingo, espremido em paredes e lugar vazio. Um branco escuro. Podia ser uma casa apenas, uma prisão apenas, mas é muito mais. É uma vida inteira. Uma menina que já não o é. E o que é? Alguma coisa se perdeu aqui; e foi no domingo que levava o seu nome. Foi dar o seu nome a tudo. E aí apagar o nome da memória. Por que a menina fez isso? Por que a menina tem tanto medo? Se é só uma menina... Se a vida com o sol, o céu, o vento... as janelas, as pessoas... até a saudade... Menina, você era bem mais feliz quando o nome era o seu próprio. - Quero acessar tudo aquilo, quero viver de novo, quero ser alguém de verdade. Quero ser mais que palavras, mais que risadas forçadas, mais que conversas sem fundo. Quero ser mais que abraços desajustados. Quero ser a menina, a mulher, tudo o que me privei. Tudo o que desaprendi. Tudo o que escondi. Quero ser aquela de novo. SER! Você sabe como é? Mas como realmente é? Não tô falando de poesia. Não há nada de poético em se tornar prisioneira de si mesma. Então você não sabe como é. - Daniela | às 6:27 PM |
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~ Abril 17, 2010 |
Desinfeccionar Se você não está mais no meu coração, por que não sai também da minha cabeça? Leva contigo todos esses anos; as lembranças, tanto as boas quanto as ruins; deixa um buraco, que fica melhor; me deixa dormir em paz. Por que não sai das minhas contas? As minhas comparações (quanta imaturidade) em que sempre saio perdendo (quanta insegurança). Sai dos meus dedos, dos meus beijos. Sai dos meus sorrisos, pra eu deixá-los sair! Se no coração já não há nem sinal de você, saia também do meu estômago. Pare de me cortar o apetite, de me empurrar pra fora tudo que, a custo, consigo colocar pra dentro. Pare de tirar as coisas de mim! Deixe de correr no meu sangue, deixa ele correr tranquilo! Se você está em qualquer lugar do meu corpo, menos no meu coração, isso aqui virou só doença; e já faz muito tempo. - Daniela | às 10:46 AM |
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~ Dezembro 13, 2009 |
Velho Que estranho, estava tão escuro o dia quase nascente em que te vi com maior clareza. Antes mesmo de chegar já parecia ter algo errado, quando eu nem sabia para onde estava chegando. Eu estava tentando te ligar e era só disfarce pra fingir que ainda existia vínculo; não passava de um número de telefone caindo todas as vezes na caixa postal. Por mais que o número fosse o mesmo, ainda que fosse o único número que eu (ainda) lembro de cor: foram apenas números e mensagens automáticas. Eu nem sabia aonde estávamos chegando. Eu me debrucei alí e esperei que algo acontecesse. Que estranho, quantas vezes me debrucei em seu colo e esperei que absolutamente nada acontecesse; só pelo prazer de querer um momento para sempre, congelado, nada alterado, o ar estagnado: "por favor, querido, não deixe nada acontecer". Ontem estava escuro e eu esperei que algo acontecesse com aquele número. Eu nem sabia o que estava esperando. A pessoa que eu vi, vindo lá de longe - o homem disse que era você - mas eu não enxergava nada. Ele usava jeans e andava com as pernas abertas, estava com uma postura diferente e eu nem soube dizer se era mais ereto ou mais corcunda, os cabelos compridos e um rosto que me custou tanto eforço em procurar algum esboço de lembrança, para finalmente desistir e perceber que aquele rosto (ah, querido, aquele rosto que já me concretizou sonhos) só dizia: aqui não há mais nada. Os olhos castanhos (e estava tão escuro!), os olhos pequenos (era um blecaute), os olhos risonhos (tão sem força) só diziam: aqui não há mais nada. "Calma, aqui não há mais nada." Que estranho, eu estava preocupada, estava te procurando, e finalmente descobri que nos perdemos de vez. Eu não tenho mais onde procurar, só sobraram as caixas, as fotos, os números de telefone e um abraço vazio. Você sabe do que eu estou falando. Sou eu que nem sei... Que estranho, já não há mais a sensação; o cultivo eterno de uma segurança em forma de amor, um apego para as datas compradas do ano, um número automático; aqui, já não há mais nada. E por enquanto, ainda está escuro. Você me pede calma. - Daniela | às 7:30 PM |
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~ Outubro 27, 2009 |
Fim Ele estava folheando um livro, sem capturar palavra alguma. Fingia que sim, no entanto. Fingia demorar. No fundo, era só um pretexto para não se aproximar mais. Era uma ocupação temporária e, quase ignorando o movimento automático dos dedos, ele pensava mesmo era na inevitável atitude que teria de tomar quando não houvessem mais folhas a serem viradas. Tanto, que ao sentir que estava se esgotando o tempo (e as folhas), decidiu diminuir o ritmo. Aí sim pôde focar algumas palavras, completamente aleatórias e mesmo assim carregadas de sentido. Não acredito em tal coisa como "destino" ou, diriam, uma "força maior" que direcionou o olhar para as palavras certas. Na verdade, nós (o que costumava ser "nós") temos uma poderosa tendência de contextualizar tudo ao nosso bem entender e, na verdade, aquelas palavras adquirem um significado muito mais mítico e simbólico do que o próprio autor do livro jamais poderia pretender, se for de "nossa" vontade atribuir tal significado à elas. Na verdade, nem eu, e nem ele, jamais saberemos se aquelas palavras realmente existiram. Ela, no outro canto do sofá, fingia assistir à tv enquanto pensava quão típica era aquela cena. Quão típicos eram os homens. Quão típico ele havia se tornado. Pensava saber tudo que ele estava pensando; inclusive saber do medo que ele sentia, e que não o deixava parar de folhear. Achava que ele até seria capaz (assim, como se isso não desmascarasse todo o comportamento) de começar o livro do zero quando chegasse à contra capa. Fingindo ter perdido alguma coisa. Fingindo não saber o que perdeu, ou em que ponto se perdeu. Como se não soubesse que o livro era a imagem perfeita do que já não mais costumava ser "nós". Tampouco acredito em metáforas, pobres analogias, buscando poesia quando se compara um relacionamento a um livro sendo folheado incessantemente. Não era nada disso, talvez, que eu buscava ver alí. Já não era mais na poesia que eu tentava a resposta. Nem mesmo beleza eu tentava, na poesia. Não mais. Essa coisa frouxa e abstrata que é a poesia; ela só alimenta os que ainda estão por aí flutuando, sonhando, sem chão, sem saber o que esperar. Só satisfaz os que ainda estão por si só, cheios de esperança e, principalmente, iludidos. Só enche de flores os que já estão floridos! Depois de anos, quando se suga todas as cores e cheiros das flores novas, nem essa medíocre metáfora serve mais. Fica tudo muito claro e o foco aqui está nas atitudes. São aqueles dedos folheando o livro, até o fim. Depois, aquelas mãos fechando todo o simbolismo e depositando ao seu lado esquerdo. Agora, aquele olhar já esperado e as palavras que se seguiriam. Ele não começou frase nenhuma (e já era de se esperar) até ela mudar sua posição no sofá, recuando um pouco e esticando, em um movimento sutil, o pescoço. Voltava-se para ele. Era o sinal que ela tinha de fazer, e aí ele entender como "permissão" para começar. Era tudo mentira e isso nunca fora determinado, muito menos imposto. Era apenas um tipo de segurança que ele mesmo definira como hábito, como garantia. E ela, só seguia o esperado, à fim de facilitar as coisas; para os dois. Ele perguntava o que havia sobrado. E não era nem à ela que ele fazia a pergunta. Perguntava o que havia sobrado, como se fosse fácil saber. Perguntava ainda, como se também não fosse tão óbvio saber. Sobrava pouco. Sobravam aproximadamente 857 fotos de duas pessoas que não existiam mais. Bem como alguns 638 objetos espalhados pelos cômodos, carros, paredes e box de banheiros que já não eram mais de uma pessoa só; mesmo que tivessem sido um dia. Sobravam 3512 dias de memórias que não poderiam ser apagadas. Sem contar os inumeráveis vínculos psicológicos, psiquiátricos e os fortíssimos espirituais que simplesmente enrraizaram-se, sem dar satisfação nenhuma, e agora não queriam mais sair do profundo vazio de cada um daqueles que um dia costumou ser "nós". Sobra mesmo muito pouco, quando percebem-se até os números. Não deixava de ser triste, no entanto. E é estupidamente óbvio eu dizer isso. Tornei-me tão óbvia que sinto-me estúpida. Tão lógica, tão clara, tão "sentencial" que cheguei a ficar com raiva dele. De nós. Daquele tempo todo e de como me transformei. De como estava sentada em um sofá perfeitamente analisado e posicionado em uma vida que não permitia espaço mais para dúvidas; muito menos para culpas; muito menos para erros; muito menos para o impulsivo e espontâneo que é feliz. Não deixava, no entanto, de ser muito triste. Foram necessários alguns minutos para dar continuidade ao que os dois já haviam começado, quase sem querer. O inevitável começo do fim. Deve-se ser muito ingênuo para acreditar que o fim chega quando as coisas já estão terminadas; que simplesmente chega e se faz verdade. Não, foram necessários alguns minutos que podiam facilmente ser confundidos com anos, para encarar o fim. Eles já nem sabiam mais se na verdade não teriam confundido mesmo: alguns anos com intermináveis minutos. Minutos secos, sem sabor, preenchidos de uma fumaça que vez ou outra dava espaço para as mãos se encontrarem, mesmo que sem ternura. Para as mãos se abraçarem, mesmo que calosas. Para as mãos, roídas, ainda tentarem se amar, mesmo que fosse inútil. Se dependesse das mãos, eles ainda levariam mais tempo. Deve-se ficar atento às mãos, isso é uma verdade. Muitas pessoas insistem em ignorar que as mãos e os dedos têm vontades próprias. José Saramago já recheou um par de páginas só com considerações sobre a independência das mãos e a existência de pequenos cérebros nos dedos. É incrível. Deve-se também ficar muito atento às divagações, como essas de livros, mãos e dedos que nos tomam quando tentamos fugir do foco. Novamente; os livros, as mãos e os dedos. Foi de um impulso. O ar estava tão parado que não havia outra coisa a fazer a não ser se levantar e encarar o vazio. Ela disse a palavra, tendo certeza de que no segundo seguinte já não conseguiria se lembrar de como a palavra saiu: Acabou. Ele respondeu à palavra, sabendo que toda a situação já falava muito mais alto que qualquer coração. Que qualquer memória. Que todo e qualquer "não". Sim, acabou. Foi um último abraço e, antes de abrir a porta, eles nem tiveram tempo (ou coragem) de reparar nas mãos. As mãos que ainda estavam apertadas. (ddbg; 8/10/2009) - Daniela | às 4:53 AM |
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~ Agosto 28, 2009 |
É o que sobra da árvore, quando sem as amoras; O que sobra dos anos depois dos 65; Depois dos 43; Depois dos 21. É o que sobra do fim de tarde, quando não há paixão. O que sobra da pessoa, quando fica sem abraços? - Daniela | às 6:25 PM |
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~ Junho 19, 2009 |
A Moça Eu tenho quase certeza de que ela estava rabiscando. Sentada alí, na área comum do prédio de escritórios, ela passava os dias na singela pretensão de preencher um potinho que ficava no balcão, onde lia-se "pegue aqui a sua mensagem do dia". Sinceramente, se três pessoas pegavam um rolinho recheado de alguma citação clichê durante a semana inteira, era muito. Mas ela usava avental branco, todos os dias, e ficava alí, sentada em um banco próximo ao balcão, ora enrolando os papéizinhos com cuidado, ora conferindo o estado do pote, ora apenas observando as pessoas que passavam. Aquele dia, eu tenho certeza de que ela estava rabiscando sua agenda. Sabe? Pintando por dentro dos números e das letras vazadas. Ela daria uma ótima personagem, eu pensei, alguém poderia escrever um livro ou um roteiro de filme só sobre ela, e a minuciosidade com que ela passava minutos rabiscando a agenda. Logicamente, ela estava tentando parecer fazer qualquer outra coisa. Tomava o cuidado de não apenas rabiscar, freneticamente; fazia pausas, observava, às vezes até ia conferir uma outra página. Acho que ela queria dizer ao mundo, ou só a si mesma, que estava organizando sua vida em meio a muitos compromissos, horários e citações (não tenho dúvidas de que haviam citações) alí naquelas páginas. Eu a vejo rabiscando, colorindo os números e o fundo oco das letras O, e ainda assim entendo como uma organização. Ela estava, de fato, organizando sua vida, ao completar as partes sem pintura que estavam fazendo falta. Eu parei um pouco para observá-la. Eu a chamo de moça, mas ela já tem sua idade... talvez esteja na casa dos quarenta anos, embora os cabelos ainda sejam bem coloridos. Pra falar a verdade, eu não sei muito bem a partir de que idade os cabelos de uma mulher começam a embranquecer e também duvido que a vaidade feminina (mesmo em se tratando da moça das mensagens do dia) permita que o tempo simplesmente corra assim, pelos fios; não hoje em dia, com as tinturas baratas e diversas. De qualquer forma, acho que a moça das mensagens era calma, isso deve ter ajudado nos cabelos; e na pele também. Só não conseguia ter certeza, assim, observando-a, se era infeliz. Não a via feliz tampouco, mas entre a felicidade e a infelicidade há muitos outros estados de espírito que não se pode rotular. Ela estava aí no meio, eu acho. Adivinhei que ela devia descontar sua periódica ansiedade em comida; muita gente faz isso, e ela realmente estava um pouco acima do peso (fato que o avental branco, várias vezes usado com uma blusa comprida de listras horizontais por baixo, evidenciava). Não me pergunte por que afirmo isso com tanta convicção, excluindo muitas outras possibilidades fisiológicas ou mesmo genéticas que podem levar ao excesso de peso: eu apenas a estava observando. Percebi também, embora isso possa parecer indelicado, que ela não usava aliança; e eu tenho certeza de que a moça das mensagens, se fosse casada, ou simplesmente "compromissada"... ah, ela usaria a aliança. Ela continuava rabiscando. Ela rabiscava com delicadeza, vale citar. A palavra rabiscando comumente remete a um comportamento levemente violento. Não, a moça do pote de mensagens era calma. Na verdade, eu acho que a moça do pote era sonhadora. Você sabe o tipo de pessoa sonhadora a que me refiro? Um sonho tão grande, um sonho além, um sonho que abrange os sonhos dos outros, a vida dos outros; que vai muito além dela, do seu avental, de sua agenda. Ela sonha tanto que, ninguém está percebendo, mas ela não está vendo a agenda e nem o pote de mensagens, em si. Eu acho que a moça das mensagens tem uma imensa esperança, para não dizer uma enorme necessidade, de que as citações de Ghandi e Freud e os provérbios chineses que ela passa tardes a enrolar perfeitamente e jogar no potinho para os outros, mudem a vida das pessoas que os lerem, como ela queria acreditar que tudo isso mudasse a própria vida dela. Eu me dirigi ao pote essa semana e a senti me observar, cautelosamente, por trás dos óculos que refletiam as luzes do prédio e muitas vezes camuflavam seus olhos. Ela apreciava esse momento a ponto de seu coração acelerar, mas era bastante sutil ao olhar pois tinha medo de intimidar alguém; intimidar as raras pessoas que não passavam às pressas e podiam desistir de pegar um pedacinho dela, alí naquele pote, caso percebessem que ela as estava observando. "A Felicidade depende das qualidades próprias do indivíduo e não do meio em que ele se acha" Eu coloquei o papelzinho no bolso e sorri, olhando para ela. Na verdade, estava olhando para ela com o coração e não com os olhos de fato, pois acho que ela não queria ser flagrada naquele momento, assim, encontrando os olhares. A mensagem que li, em si, não foi motivo de mudar uma vida; mas acho que tanto eu quanto ela sabíamos, naquele momento, que a lição do pote foi a própria moça das mensagens, fui eu mesma, foi o prédio de escritórios... foi bem mais que um pedaço de papel enrolado. (ddbg, 18/06/2009) - Daniela | às 8:28 PM |
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~ Junho 1, 2009 |
A internet tem esse negócio de permitir quase tudo. Você tem uma idéia absurda, cria alguma coisa na rede e de repente o mundo inteiro está comentando sobre aquilo que, a princípio, foi apenas um devaneio na madrugada, e por fim virou um super portal ou um influente blog ou uma animação-lixo que ficou engraçada. Não importa, já foi dito no começo: a internet permite e dá iguais chances a todo tipo de conteúdo, até o que aparentemente não tem conteúdo ou não faz sentido nenhum. Chegamos ao ponto. O último grande devaneio que aparentemente não faz sentido nenhum e está em ascenção é o portal chamado Twitter. "O QUÊ?" - você me pergunta, em tom de exclamação; e eu tento responder, na medida do possível, já que o devaneio foi longe: a palavra "twitter", seria uma derivação da palavra "tweet" que, em inglês, remete ao pio dos passarinhos. Sua próxima reação muito provavelmente é perguntar "Tá, e daí?", já em um tom menos surpreso, sabendo que depois dessa, não se pode esperar muita lógica na tal ferramenta virtual mesmo... Eu continuo: se você experimentar acessar o portal através do endereço twitter.com, vai encontrar lá a pseudo-explicação de tudo, simples e direta, dizendo: "Twitter é um serviço para amigos, família, e colegas de trabalho se comunicarem e permanecerem conectados uns aos outros através de respostas rápidas e frequentes à simples questão: O que você está fazendo?". Tudo bem, agora você entendeu e não sabe se era pior não ter entendido nada e tudo parecer um mundo mágico a ser descoberto ou cair na realidade de que há tanta repercussão em torno de um portal que, sim, não tem quase nenhuma utilidade. Os usuários dessa incrível ferramenta têm então, ao seu dispor, 140 caracteres por vez, para contar ao mundo "o que estão fazendo". É óbvio que ninguém quer saber o que as outras pessoas estão fazendo, pelo menos não o que pessoas "comuns" estão fazendo. Qual a graça de saber que a Chica acabou de comer um rocambole? Nenhuma. Eis que aí surgem twitters de celebridades, alguns autênticos, e muitos outros conhecidos como "fakes" (falsos). Ambos fazem bastante sucesso; isso quando o fake não faz mais sucesso que o autêntico por ser geralmente carregado de ironia e comentários cômicos. A verdade é que, como quase tudo na internet, o twitter vira ferramenta de auto-afirmação e cresce por conta disso. Atrai inúmeros ansiosos por responder a simples questão "o que você está fazendo?" da forma mais criativa e espetacular possível, como se a vida fosse tudo que se sonha; além dos muitos sagazes por mostrar conhecimento sobre quase todos os assuntos, sempre seguidos de links interessantes para outros sites. No fim de tudo, a grande verdade é que cada usuário é praticamente um solitário, já que ninguém quer ler o que os outros fazem, só querem mostrar o que estão fazendo. Mas deixa... é uma ilusão consciente. Como se ninguém tivesse percebido que responder, na rede, rápida e frequentemente à questão "o que você está fazendo?" não fosse uma das coisas mais sem utilidade que já existiu entre os grandes devaneios da internet. - Daniela | às 12:59 PM |
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~ Maio 31, 2009 |
O grande fenômeno, ou talvez seja melhor usar outra palavra nesses dias em que a denominação "fenômeno" é quase patenteada por um grande jogador (dando à palavra "grande" o sentido que preferir). Vamos começar denovo: a grande mania virtual do momento entre cibernéticos de todas as idades no Brasil é o Twitter. Tudo bem, talvez você ainda não tenha ouvido falar tanto sobre ele quanto se fala sobre o "famoso site de relacionamentos" que, vira e mexe, é mostrado em reportagens de televisão e as emissoras não podem usar o termo "Orkut", como se não fosse inconfundível aquele fundinho azul-bebê do portal. A questão é que o twitter está crescendo, e não há como ignorá-lo. Eu acredito que o que mais atrai a atenção das pessoas para o twitter é o eterno dilema: "para quê serve esse negócio, afinal?". Experimente você também, acesse twitter.com/qualquercoisa e tente entender. Sim, você pode substituir as palavras "qualquer coisa" por praticamente qualquer coisa que vier à sua cabeça, que muito provavalmente haverá um usuário de twitter sob esse nome. E aí, o que você encontra? Uma página, cheia de publicações curtas, apenas uma frase, quando não só uma palavra, citando e discorrendo (se é que é possível discorrer em tão pouco espaço) sobre qualquer assunto. E aí, "qual a utilidade disso?" Tente outra situação. Acesse twitter.com e faça seu próprio cadastro. É simples e rápido e, parabéns! Agora você também está nessa rede! Toda a intenção do site parte de uma pergunta a ser respondida em no máximo 140 caracteres; ela diz: "O que você está fazendo?". Cuidado, novato; perceba que, obviamente, se você apenas responder à pergunta, assim, de forma ingênua, como por exemplo "eu estou comendo uma pêra", sua página ficará extremamente sem graça e... sem sentido. Você deve fantasiar, criar a ilusão de que sua vida é espetacular e mostrar que você tem um senso de humor único ou um conhecimento muito vasto sobre todas as coisas do mundo. Tem de ser bastante inusitado para deixar ligeiramente divertido um portal que, sim, na verdade é essencialmente sem sentido. Experimente dizer "Estou deliciando uma pêra, e aliás, vocês já viram esse comercial que usa pêras? (insira aqui o link de um comercial raro, improvável e super criativo que usa pêras)". Crie mais algumas linhas nesse gênero e em seguida comece sua saga em busca de seguidores. Como? Siga todas as pessoas possíveis. Simplesmente vá seguindo, é só um botão a ser clicado mesmo. Grande parte das pessoas no twitter só querem ser seguidas, e vão ficar lisonjeadas quando forem avisadas via email que você as está seguindo. Elas realmente vão acreditar que você está interessado no conteúdo de suas respectivas páginas e, como gesto de gratidão, vão te seguir também. Você, igualmente ingênuo e egocêntrico, também vai apostar que esses novos seguidores querem muito saber o que você tem a dizer de interessante e a rede engorda assim: todo mundo falando sozinho, só querendo ser ouvido (lido), e ninguém ouve (lê) o conteúdo dos outros. Salvo algumas pouquíssimas excessões, é lógico. Mas, no geral, a internet costuma funcionar assim mesmo: fornece inúmeras ferramentas de auto-afirmação e fazem muitos jovens ilusoriamente mais felizes. E a vida fica melhor, assim. Agora eu vou fragmentar isso tudo em blocos de 140 caracteres e atualizar meu twitter. - Daniela | às 11:39 PM |
| Todo mundo ficou sabendo... Aliás, estou sendo supérflua ao citar que "todo mundo ficou sabendo" já que, hoje em dia, são raros os acontecimentos que o "todo mundo" não fica sabendo. O "todo mundo" que assiste à televisão, acessa a internet ou simplesmente sai de casa e conversa com outras pessoas. "Ele" fica sabendo até a cor da roupa que o mais novo dos Jonas Brothers usou no show; não, não nesse show que aconteceu no Brasil, poucos dias atrás. Saber desse é muito fácil. "Ele" sabe daquele show raro, para um grupo selecionado de pessoas, que aconteceu em Xangai no ano de 2007, e o pequeno Jonas usava azul, "todo mundo" sabe. Peço perdão, enfim, e retomo: é óbvio que todo mundo ficou sabendo da ligeira queda que sofreu o nosso querido Caetano Veloso durante sua apresentação em Brasília, no dia 16. Muito provavalmente, todo mundo também ligeiramente riu ao assistir aos vídeos do acontecimento, como não poderia deixar de ser. O tropicalista ia alegre, caminhando contra o vento, inspirado por aquela força que o leva a cantar, quando a Força Maior agiu sobre ele. Não estou falando de Deus ou Jorge da Capadócia, estou falando de um degrau, Isaac Newton e a Gravidade. Alguém na platéia expressa toda sua preocupação com um "meu Deus..." bastante sentido, e após 2 segundos Caetano se levanta para alívio de todo mundo: "ele está bem". Tudo bem, nada demais, eu não me preocuparia. Caetano já teve de ser bem mais cauteloso décadas atrás para não cair nas mãos da ditadura; cair nas mãos e nos artíficios de tortura da ditadura, literalmente. O que é um degrau, gente? A queda é natural, ela acontece todos os dias na bolsa de valores e estamos todos acostumados. Cai também muita chuva no nordeste, cai para alagar tudo e desabrigar muita gente. Caem os cabelos dos senadores e deputados, mas só quando um deles é sorteado para ser cassado porque, até lá, eles investem bastante nos implantes capilares e vocês sabem com que dinheiro isso é feito. Nós estamos, na verdade, bastante habituados às quedas já. A de Caetano só teve tanta repercussão por ser, ao contrário das outras aqui citadas, hilária. E todo mundo gosta de cair na gargalhada. Aliás, Caetano não é qualquer um. Caetano e sua juba, quando caem, são aplaudidos. Isso sim é que é queda! - Daniela | às 8:56 PM |
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~ Maio 24, 2009 |
Você NÃO sabe do que estou falando - Daniela | às 1:18 PM |
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~ Abril 2, 2009 |
saí xau' - Daniela | às 1:25 AM |
| Sai dessa vida! Discorrendo sobre assuntos variados e de pertinência duvidosa diariamente em um blog. Tweetando freneticamente até às 3 da manhã & justificando ausência de meia hora. Surtando diariamente atrás da avalanche de informações sobre todas as áreas de criação possíveis [até da BÍBLIA, se pá]. Vomitando diariamente comentários intelectuais sobre qualquer grande bosta. Se vestindo à rigor no estilo "COOL" de viver. Vendendo a mãe para emplacar sua banda. Querendo ser DESCOLADO em SOROCABA. OI? Fazendo um fake do BONGÔ no twitter. Acampando 3 meses no meio do mato para saber o que é passar necessidade. Tomando Daime no fim de semana para dar aquela relaxada. Fazendo moda na FAAP. (Não só o curso) Pagando BOOK para ser modelo de platéia no programa "MELHOR DO BRASIL" Voltando ao torpor do tratamento médico, incentivando o cinismo. FRITANDO nos finais de semana. DORMINDO nos finais de semana. Curtindo em São Paulo. Passeando no shopping. Conversando com sua operadora. Largando a faculdade. Dormindo 5h por dia. Feliz nesse Brasil de Deus. SAI DESSA VIDA. - Daniela | às 1:24 AM |